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A Vila da Areia

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Foto: Oliver Flambeau Em Cabo Verde 65% da população vive no litoral das ilhas. Com pouco mais de meio milhão de habitantes, 55% da população do arquipélago são mulheres, que na sua grande maioria são chefes de família. Na vila de Ribeira da Barca, localidade a noroeste do interior da ilha cabo-verdiana de Santiago é justamente esta população feminina que tem preocupado as autoridades locais, especialistas e ambientalistas, como a apanha de areia. A apanha de areia e inertes por essas mulheres é uma realidade que está a provocar o desequilíbrio não só do ecossistema nacional mas na sua própria saúde com o desenvolvimento de doenças como, infecções vaginais, atrite, artroses, cegueira, surdez ou perda de cabelo. Os montes de areia e de brita à beira mar dão as 'boas-vindas' à vila onde Homens, mulheres e crianças buscam esses recursos naturais em seu meio de sustento. Vamos conhecer algumas histórias por trás desse problema ambiental. Crisólita Mendes de 35 e Maria de Fátima de ...

O dia em que fui sexualmente violentada

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  Ele tocou meus seios sem permissão! Guardei este segredo por muito tempo, com medo de o contar. Mas hoje, mais do que nunca, estou disposta a despir-me completamente e mostrar todas as cicatrizes daquele coito sem permissão. Se for sensível o coração do leitor peço apenas que não continue leitura. Porque, hoje, vou expor sem medo verdades sórdidas daquela violação desmedida. Pense bem se quer saber os detalhes desta história e não continue se não tiver estomago para isso. Eu sei que os porcos estúpidos vão apedrejar-me. Afinal, “a culpa é sempre dela”. Com ou sem culpa vou desenterrar este fantasma. Eu! Porque daquele dia em diante fui apenas um fantasma. O meu marido, o homem com quem divido a cama, o amor e os sonhos, ficou desconcertado diante desta verdade aterradora. Agora, ele entende que o meu pudor não era inexperiência ou nojo e que as noites de amor com luzes apagadas escondiam medos e traumas. - Ele tocou meus seios sem permissão. – Disse eu ao meu marido, se...

“Eu esperava mais da literatura cabo-verdiana” - José Eduardo Agualusa

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José Eduardo Agualusa nasceu na cidade de Huambo, em Angola. Estudou Agronomia e Silvicultura. De ascendência portuguesa a brasileira, foi jornalista e editor. Seus romances já renderam prémios nacionais e internacionais. Sobre a literatura cabo-verdiana, o autor diz que esperava um progresso mais acentuado como aconteceu a nível da música, por exemplo . Quando é que descobriu, em si, o gosto pela escrita, decidindo: “tenho mesmo de escrever”? Eu acho que a gente acaba escrevendo por causa da leitura. O escritor é sempre um grande leitor. Eu me lembro perfeitamente qual autor é que me empurrou para a escrita. Foi Eça De Queirós. Eu li Os Maias , quando tinha 17 ou 18 anos e fiquei completamente arrebatado pelo Eça e assim fui ler toda sua obra. A partir daí, comecei a escrever. Nasceu aquela vontade e comecei a escrever nessa altura. Então, se tivesse que apontar um autor que admira e que o inspira seria o Eça de Queirós? Seria! Como é que se sentiu quando termin...

Ela se matou em um Setembro amarelo

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Imagem do Google Foi notícia em todos os jornais. Eu vi aquelas imagens chocantes na televisão.  E  nas redes sociais vários comentário e ondas de indignação. Mas para ela ninguém mobilizou uma onda solidária ou qualquer marcha de reivindicação. Ela era uma mulher forte e valente. Tive o prazer de a conhecer pessoalmente, ver os seus incríveis projetos, sua aparente alegria de viver e os seus sonhos de viagens mais excitantes. É por isso que até agora penso o que pode fazer alguém assim querer tirar a própria vida. Sempre a imaginei plena e ela era inspiradora. A sua morte foi dos suicídios mais macabros de que alguma vez se falou nestas 10 ilhas. A forma como foram encontrados os seus restos mortais foi aterradora. Eram fétidos e podridos, num estado de decomposição que seguramente era o retrato perfeito de todo o podre que ela guardava por dentro sem  poder  partilhar. Nem os amigos, nem os familiares puderam explicar ou apontar as razões que possam ter lev...

A um desconhecido!

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  Foto by: Alex Todosko Disse-me um dia alguém que é mais fácil falar a verdade a desconhecidos. Pensava que era algo frívolo mas, agora começo a ver certa verdade nessas palavras. Não cheguei ao ponto de acreditar vividamente nelas ao atribuí-las qualquer mérito. Quem sou eu para o fazer? Mas, o nosso relativo desconhecimento faz-me sentir um particular à-vontade entre os teus olhos e os meus segredos, que contar-te-ia qualquer verdade. E olha que eu sempre fui de meios sorrisos e meias palavras. Nunca senti tanta necessidade de desvestir-me como sinto ao pé de ti. Sempre fui suficientemente autoconfiante e nunca fui dessas que acreditam em almas gêmeas, apesar de agradar-me o seu conceito. Sempre acreditei que o verdadeiro romance não tem nada que ver com fantasias. Romances são momentos que naturalmente acontecem e nos fazem estar tão confortáveis ao ponto de não ter de criar qualquer expectativa. Sem planos. Sem cobranças. Sem ressentimentos. Creio que de isso o amor se t...

Oji N konxi omi di nha vida (La Mujer di mi Vida) - Nicolas Barreau

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Não podíamos deixar de dar esta sugestão. La mujer de mi vida foi certamente a literatura mais suave, conversante e marcante que li nesses últimos meses.  Nesta obra Barreau é espetacular. Com uma forma de narrativa que prende qualquer leitor, e não falo dos romancistas de carteira, sinão dos que leem para viajar, para fugir, para sentir.  A forma como Nicolas conta esta estória é incrível, deixando o leitor entrar nas personagens e sentir o que elas sentem.  Senti-me parte da estória. Resultado disso foi a adaptação da parte inicial do livro para kabu-verdiano fazendo-me a própria personagem. Se há uma leitura sem arrependimentos esta sem sombra de duvidas é “La mujer de mi vida”. Oji N ko nxi omi di nha vida. El staba xintadu na nha kafé favoritu, la na fundu, na un di kes meza di madera djuntu di kel paredi kubertu di spedju, i el staba ta suri. Pa nha disgrasa, el ka staba el só. Un minina rei di bunita – N ten ki adimiti - staba xinta...

No interior da minha ilha

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Fonte: Getty Imagens No interior da minha ilha Há um campo não semeado Há um segredo guardado Terras nunca lavradas No interior da minha ilha Há acácias que esperam chuva Há estrangeiros de retrato em punho Rochas esculpidas com véu de linho No interior da minha ilha Há pirilampos e pardais Há montanhas tesas e altivas Que abraçam o suave das nuvens No interior da minha ilha Há uma dor escondida Há um amor de partida No interior da minha ilha Buscarei consolo Regarei com lágrima as tambarinas Colherei flores de lantuna No interior da minha ilha Enterrarei meu medo de amar Deitarei com as montanhas Coberta pelo breu de Cabudjana No interior da minha ilha Há um trapiche que não pila cana Há uma esperança morta no milho seco Uma ribeira estiada Uma cachoeira sem água

Os ritmos do Festival Literatura - Mundo 2018 tocam, aqui, na Bússola

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Nesta que é a 2ªedição do Festival Literatura - Mundo do Sal, os ritmos literários tocam, aqui, na Bússola. Estaremos em cima dos acontecimentos para que estejas por dentro de todos os pormenores do programa para este ano. Os 4 dias de festival contemplam conferências, debates, homenagens e sessões de leitura. No primeiro dia, o pedestal literário será ocupado pelos poetas homenageados, Mário Fonseca (Cabo Verde) e Jorge Luís Borges (Argentina). A sessão de abertura conta com intervenções do presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras e do presidente da Academia Brasileira de Letras, com tributos ao “Camões” de Cabo Verde: Arménio Vieira e Germano Almeida. O festival decorre de 21 a 24 de Junho. Conferencias e debates que marcam o encontro: - “Literatura – Mundo: breve história de uma ideia” – Simão Valente e Vera Duarte; - “Literatura nacional e/ ou literatura universal” – Jorge Carlos Fonseca, Julian Fuks, Manuel Halpern, Mempo Giardinel...

10 Expressões literárias que todo bom leitor precisa conhecer

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1- Orgasmo literário   – clímax de prazer que o leitor ou escritor sente na sua relação com um livro (ao ler ou ao escrever); 2-Bloqueio literário   – estado de um autor perde a sua inspiração ou criatividade literária ou ainda, estado em que leitor não consegue dar seguimento a uma leitura; 3-Coma literário  -  estado de inconsciência em que o leitor fixa sua atenção um determinado género literário, serie de livros ou autor, do qual não pode ser despertado, não aceita outras sugestões e não consegue ler outra coisa; 4-Ressaca Literária -  quando o leitor acaba de ler um livro, que acha “MUITO BOM”, e não consegue ler o próximo, porque acha que nenhum outro será igualmente bom; 5-Traumatismo literário   – quando o autor escreve um livro que gera muitas critica negativas e fica muito abaixo das expectativas e sente medo de publicar um próximo livro; ou então, quando o leitor cria alta expectativa em relação a um livro e é desapontado...

NUNCA aceite um “Quase Amor”

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Imagem do Google Pior do que quando alguém não ama, é quando alguém quase ama. Mas, que RAIO é quase amar?  Não sei se alguma vez ouviram isso: ”eu quase amei o fulano ou a fulana”; “quase fiquei com o fulano ou a fulana”; “quase me casei com o fulano ou a fulana”! Bom, só para acabar com as dúvidas e os rodeios o “quase amor” NÃO EXISTE. Ou se ama ou não se ama. Porque, como disse alguém o quase morto, ainda, está vivo e o quase vivo já morreu. Então, o quase amor é um sentimento que nunca existiu. Por isso, nunca aceite um quase amor. Se há duvidas não há amor. Se há vergonha não há amor. Se há deixar para depois, ainda, não há amor. O amor é justamente passar com sucesso a fase do “quase” e se ganhar a absoluta certeza de que é de verdade. O quase é uma esperança ridícula, que brinca com um coração quebrado e o faz dançar sobre cacos. O amor de quase é uma desgraça declarada. Porque, quem quase se apaixonou, não está apaixonado, quem quase namorou não ...